Dario Sotelo ensina os fundamentos da regência para futuros maestros

Consagrado no Brasil e no exterior, o maestro Dario Sotelo vai transmitir sua experiência aos alunos do Curso Online de Introdução à Regência, neste sábado (11/09), pela plataforma Zoom

Um dos maestros mais respeitados do Brasil, com passagens por orquestras de projeção internacional, Dario Sotelo entende que um dos requisitos básicos para um regente é ter uma formação musical instrumental e teórica a mais completa possível, com uma leitura musical avançada. “Quando digo leitura, quero dizer ler as notas e ritmos e ouvi-las, como ler um texto e saber o que significa cada palavra e seu som”, ensina. Essa e outras lições fazem parte da palestra que o maestro vai apresentar aos alunos do Curso Online de Introdução à Regência, neste sábado (11/09), das 13h às 17h.

A atividade terá transmissão pela plataforma Zoom para 330 alunos de 24 Estados brasileiros, selecionados por meio de Edital lançado no site da Estação Conhecimento de Serra. Considerando-se os alunos de docentes matriculados, indiretamente a formação vai contemplar cerca de 6,5 mil estudantes em todo o Brasil.
Iniciativa do Instituto Cultural Vale, o Curso Online de Introdução à Regência integra o Programa Vale Música e é destinado a estudantes de música, professores, músicos, regentes de bandas, orquestras, corais e grupos de jazz, entre outras formações musicais. Todas as atividades são desenvolvidas de forma remota, com a participação de regentes e musicistas de projeção internacional.

Entre os conteúdos a serem apresentados pelo maestro Dario Sotelo estão o estudo dos fundamentos da regência de conjuntos instrumentais, de modo a fornecer aos participantes as ferramentas básicas do estudo da partitura, da técnica básica de comunicação gestual, organização e técnica de ensaio, além da realização musical final através dos concertos. “Cada um desses tópicos será abordado em termos práticos. Tomaremos uma partitura e a estudaremos detalhadamente, vendo desde as informações sobre o compositor até chegarmos à instrumentação”, adianta.

Na entrevista a seguir, Dario Sotelo apresenta mais detalhes sobre a sua palestra no Curso Online de Introdução à Regência:

Na sua opinião, qual a importância da realização de um Curso de Introdução à Regência para a formação de novos regentes e para o desenvolvimento do setor musical?

A possibilidade de realizar o Curso de Introdução à Regência é importante, primeiramente, porque oferece a todos os interessados em regência instrumental o acesso aos elementos básicos desta atividade. A demanda por informação prática e também teórica em regência é cada dia mais alta. Temos tido grandes oportunidades de formação de grupos instrumentais e, muitas vezes, as pessoas que estarão à frente não necessitam com urgência os direcionamentos para fazer o conjunto funcionar e crescer, sendo assim ela é fundamental.

Sua palestra tem como tema “Introdução à Regência”. Quais conteúdos pretende transmitir aos participantes do Curso?

O primeiro assunto a ser tratado é o conceito fundamental da regência através de momentos importantes da história da mesma, práticas e tratados importantes que fundamentam a atividade. Maneiras de como o estudar a partitura, a comunicação gestual e técnica e a administração de tudo nos ensaios e concertos. Cada um destes grandes tópicos serão abordados praticamente, tomaremos uma partitura e a estudaremos detalhadamente, vendo desde as informações sobre o compositor até chegarmos à instrumentação, ou seja, qual é o conjunto instrumental usado, além de todo o processo de desenvolvimento de uma interpretação da obra que tenha como base tudo o que está escrito na partitura e o que pudemos apreender sobre o estilo musical.
Veremos paralelamente os elementos práticos e técnicos dos gestos, como podemos comunicar o compasso, a dinâmica, articulação, fraseado, fluência de tempo e caráter musical. Em seguida conectamos o estudo da partitura com os gestos vistos tecnicamente para a obra específica, observando que a comunicação da obra, a regência da peça, será única. Para outra obra faremos o mesmo processo. E, finalmente, como vamos administrar todo este trabalho através da realização prática nos ensaios e também no concerto.

O Sr. é respeitado internacionalmente como regente e palestrante, tendo sido membro do Conselho da WASBE, “World Association of Symphonic Band and Ensembles”, de 2002 a 2008, e presidente da instituição, de 2017 a 2019. Pode sintetizar quais os requisitos fundamentais para o maestro que se propõe a liderar uma orquestra ou conjunto?

Antes de tudo ter uma formação musical, instrumental e teórica mais completa possível, ter uma leitura musical avançada – quando digo leitura, quero dizer ler as notas e ritmos e ouvi-las, como ler um texto e saber o que significa cada palavra e seu som. É fundamental que o regente tenha profundo conhecimento da história da música, seus períodos e estilos musicais, além da expressão artística dos mesmos. Cada uma dessas fases históricas apresentou uma gramática musical diferente; no período barroco, por exemplo, a música tinha conteúdos artísticos e sociais diferentes dos nossos dias. Também é necessário o maestro ter conhecimento do repertório dos vários conjuntos – orquestras, bandas ou música para coro, ópera etc. Este conhecimento estará principalmente relacionado com o conjunto que o regente trabalha ou trabalhará. É importante ter uma visão clara de como os conjuntos funcionam nas diversas regiões do mundo, pois as práticas não são totalmente homogêneas no mundo, tiveram histórias e práticas diversas. E, finalizando, o regente deve estar sempre disposto a conhecer e aprender. Como escrevi no início, cada obra que aprendemos traz consigo um universo único que temos que descobrir. Não é automático, como muitos pensam; saber reger uma sinfonia de Beethoven não significa saber as outras oito. Cada obra tem seu próprio idioma.

Biografia

Formado em piano, violino e viola, Dario Sotelo recebeu seu título de mestrado em regência orquestral pela City University, em Londres, como aluno de Ezra Rachlin, um dos discípulos de Fritz Reiner. Foi coordenador da área de cordas do Conservatório de Tatuí (SP) entre 1988-1991 e 1998-2003, reestruturando os programas dos cursos de instrumentos de cordas, de modo a integrá-los às atividades de música de câmara e orquestra, em níveis equiparados. Criou e estabeleceu orquestras jovens em Tatuí, Belo Horizonte e São Paulo.

Após dois anos em Londres (1991 e 1992), foi convidado para estabelecer o curso de regência instrumental do Conservatório de Tatuí e para assumir a regência da Orquestra de Sopros Brasileira, da qual foi diretor Artístico e regente por 25 anos, tendo a oportunidade de gravar sete CDs com obras de diversos compositores brasileiros. Em 1998 tornou-se o regente da recém-criada Orquestra Sinfônica Paulista do Conservatório de Tatuí, conjunto que dirigiu até 2003. Até o momento realizou 150 estreias mundiais de obras de compositores brasileiros e 98 estreias brasileiras de compositores internacionais.

Como palestrante e regente convidado participou de dezenas de atividades internacionais, entre as quais o Festival de Música Brasileira em Wattwill (Suíça), a gravação para a Rádio Estatal Húngara, turnês pelos Estados Unidos e Espanha. Atuou, ainda, na Convenção Estadual de Minnesota, em Mineápolis, na Universidade de Duluth, e na Berklee College of Music, na cidade de Boston, nos Estados Unidos.

Também como regente convidado atuou na Hungria, Austrália, Alemanha, Inglaterra, Espanha, África do Sul, Colômbia, Uruguai, Costa Rica, Paraguai, Argentina e Taiwan. No Brasil regeu em Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, entre outras capitais.

Estabeleceu a Conferência Ibero-Americana de Compositores, Arranjadores e Regentes de Banda Sinfônica, em Tatuí, da qual foi o coordenador geral e artístico nos anos de 2002 e 2004, e foi secretário geral do IV Congreso Ibero-Americano de Compositores, Arregladores y Directores de Banda Sinfônica, na cidade de Tenerife, na Espanha, em 2013, e também na cidade de Lliria, no mesmo país.

Escreveu vários espetáculos musicais para crianças, jovens e adultos, entre os quais “Retratos”, “Villa- Lobos Encontra Guarnieri”, “Vinda da Família Real para o Brasil”, “Villa-Lobos e o Momoprece”, “Sonho de Criança”, “As Estórias de Petrushka”, “O Tango e Suas Histórias”, “As Estórias do Tião” e “Mambos, Boleros e Chá-cháchás”.

Foi membro do Conselho da conceituada WASBE – Associação Mundial de Conjuntos de Bandas Sinfônicas e Conjuntos de Sopros – de 2002 a 2008 e presidente da entidade de 2017 a 2019. Em 2013 organizou e coordenou o I Seminário Nacional de Regência de Banda Sinfônica, evento que se repetiu por mais quatro edições nos anos seguintes, mobilizando mais de 1200 participantes de todo o Brasil e da América do Sul.

Em 2014 estreou como Regente Convidado da Banda Sinfônica Municipal de Madrid e colaborou com a série “Teaching Music Through Performance in Band”, com o capítulo “Danzon no.2”, de Arturo Márquez. Participou como jurado do Certamen Internacional de Bandas ‘Ciudad de Valencia’ nos anos de 2003, 2010 e 2019.

Em 2019 organizou e coordenou a Conferência Mundial da WASBE na cidade de Buñol, na Espanha. Em 2020 recebeu a condecoração “Distinción Pare Antoni”, do Ateneo Música e de Ensino Banda Primitiva de Llíria, uma das mais importantes instituições musicais da Espanha. Atualmente é Regente da Banda Sinfônica da Escola Municipal de Música de São Paulo.

O Curso
O Curso Online de Introdução à Regência tem coordenação do Projeto Vale Música Serra e o patrocínio da Lei de Incentivo à Cultura do Ministério do Turismo. A formação terá um total de 200 horas, sendo 120 horas síncronas, por meio da plataforma de videochamada Zoom, e 80 horas assíncronas, com atividades preestabelecidas no AVA – Google Classroom. Os componentes curriculares do curso serão divididos em 30 encontros, realizados sempre aos sábados, das 13h às 17h.
Para a gerente do Instituto Cultural Vale, Christiana Saldanha, o Curso Online de Introdução à Regência está em consonância com a estrutura pedagógica do Programa Vale Música e com o papel da instituição no processo de democratização do acesso à cultura e do fomento da arte. “Desde 2019, quando foi criado, o Programa Vale Música está em constante evolução. O curso de Regência do Vale Música, modalidade inédita no Programa, se junta a outras categorias de formação para possibilitar novas possibilidades aos músicos, reflexo de nossa busca incessante pelo aperfeiçoamento”, destaca Saldanha.
Dúvidas e mais informações podem ser obtidas pelo e-mail [email protected]

SOBRE O INSTITUTO CULTURAL VALE:
O Instituto Cultural Vale parte do princípio de que viver a cultura possibilita às pessoas ampliarem sua visão de mundo e criarem novas perspectivas de futuro. Tem um importante papel na transformação social e busca democratizar o acesso, fomentar a arte, a cultura, o conhecimento e a difusão de diversas expressões artísticas do nosso país, ao mesmo tempo em que contribui para o fortalecimento da economia criativa. Em 2021, são mais de 150 projetos criados, apoiados ou patrocinados em 24 estados e no Distrito Federal. Dentre eles, uma rede de espaços culturais próprios com visitação gratuita, identidade e vocação únicas: Memorial Minas Gerais Vale (MG), Museu Vale (ES), C entro Cultural Vale Maranhão (MA) e Casa da Cultura de Canaã dos Carajás (PA). Visite o site do Instituto Cultural Vale para saber mais sobre sua atuação: www.institutoculturalvale.org.

SOBRE O PROGRAMA VALE MÚSICA:
Desde o início dos anos 2000 a Vale cria oportunidades para estudantes participarem de formações musicais e desenvolverem seus talentos nos estados do Espírito Santo, Minas Gerais, Pará e Mato Grosso do Sul. Em 2019, a empresa criou o Programa Vale Música, uma rede colaborativa de ensino e aprendizagem composta pelos projetos musicais dos quatro estados e as maiores orquestras do país. Ao todo, a rede envolve mais de 240 profissionais e mais de 1.000 estudantes. São parceiras do Programa Vale Música a Orquestra Sinfônica Brasileira, a Orquestra Ouro Preto, a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, a Nova Orquestra e a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, patrocinadas pelo Instituto Cultural Vale por meio da Lei de Incentivo à Cultura.

SOBRE O PROJETO VALE MÚSICA SERRA:
Iniciativa do Instituto Cultural Vale, o Projeto Vale Música Serra atende 200 alunos, de 07 a 29 anos, na Estação Conhecimento de Serra, em Cidade Continental, e 70 alunos, de 07 a 11 anos, no Núcleo do Vale Música no Parque Botânico Vale, em Vitória. O projeto conta com diversos grupos artísticos como a Orquestra Jovem Vale Música, a Camerata Jovem Vale Música, a Vale Música Jazz Band, a Banda Sinfônica Vale Música, o Coral Infantil Vale Música e o Coral Jovem Vale Música, que se apresentam em eventos na Grande Vitória e demais regiões do país. Durante o período da pandemia do novo coronavírus todas as atividades estão sendo desenvolvidas de forma remota.

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