Com a proposta de atuar diretamente no desenvolvimento integral de seus usuários e famílias, a EC Serra compromete-se com diretrizes educacionais que reconhecem a singularidade de suas crianças, adolescentes e jovens e os colocam no centro do atendimento realizado pela instituição.
Em diálogo com os potenciais identificados no território, respondendo e forjando oportunidades de aprendizagem e proteção social, a EC Serra reafirma sua missão, visão e valores a partir de um conjunto de diretrizes que orientam suas práticas cotidianas.
Concepções
Enquanto organização da sociedade civil, com papel fundamental na articulação entre as áreas educacionais e de assistência social, a EC Serra tem como concepções norteadoras de seu trabalho.
Infância e adolescência
Criança é um sujeito que está contextualizado em construções sociais, históricas e culturais, a partir de diferentes momentos, cenários e situações que englobam, em sua essência, elementos como gênero, raça, etnia, classe social, relações de afeto, cuidado e condições socioeconômicas e espaciais. A concepção de infância adotada pela EC Serra tem por base o legítimo reconhecimento de sua existência enquanto participante da sociedade e da cultura, independente do seu tempo e espaço, modificando e sendo modificada por elas.
Considerando tais elementos e a sua relação com a imagem de criança construída no tempo e na história, a EC Serra corrobora com a noção de múltiplas infâncias e de várias formas de ser criança, cada uma a seu jeito de ser, agir e pensar. Criança é aquela que cria, que provoca mudança, que apreende e, a partir da constante troca, descobre sua maneira de conhecer. É aquela que deve ter seus direitos garantidos e protegidos por toda comunidade.
Agente transformador do meio, tanto na EC Serra, quanto no território em que está inserido, o adolescente é aquele que fomenta em suas construções de saberes e apropriações de identificações as novas percepções de mundo e, nessa relação, propõe-se a interagir com o meio, vinculando-se sempre e cada vez mais com o contexto histórico, social e cultural.
Como expresso anteriormente, a EC Serra caminha em consonância com o Estatuto da Criança e Adolescente, o ECA, por meio de seus eixos, colaborando ao lado das famílias, do Estado e da sociedade para criar condições para o desenvolvimento sadio e harmonioso, pautado pelo respeito aos direitos fundamentais de meninos e meninas.
Jovens e Juventudes
O jovem na EC Serra é visto enquanto potência. É um sujeito crítico, criativo, inovador, articulador, empreendedor, planejador e com visão de futuro. Vista como a fase do despertar dos desejos e do aprimoramento de suas potencialidades, competências e habilidades, a juventude é uma construção social e histórica fundamental para o desenvolvimento do sujeito enquanto pessoa, profissional e cidadão.
Falamos em juventudes por reconhecer que não há uma única forma de ser jovem hoje no Brasil. Ao contrário, as juventudes são atravessadas por diferentes formas de ser, estar e se expressar no mundo, associando-se contextos de vida, relações e condições de gênero, raça, etnia, cultura, religião, moradia e classe social os mais diversos.
A partir dessa leitura é possível compreender os desafios e as potencialidades presentes na relação entre educadores(as) e usuários(as) jovens. Essa relação é evidenciada pela necessidade de construir, ampliar e favorecer espaços colaborativos com intencionalidade educativa que ultrapassem as estruturas físicas e, coletivamente, se façam presentes na capacidade de ser um Território Educativo.
Educação Integral
A Educação Integral é compreendida como um processo que tem centralidade nos sujeitos que aprendem e que promove interações qualificadas que exploram as dimensões física, social, intelectual, cultural e emocional do desenvolvimento humano. Para a EC Serra, as crianças, adolescentes e jovens às quais se voltam suas ações devem ter suas singularidades observadas.
Para isso, é preciso que haja escuta dos usuários na construção das atividades, que o cuidar e o educar caminhem juntos, forjando oportunidades de aprendizagem, que o território seja articulado de maneira transversal, oferecendo caminhos de contextualização e ampliação das oportunidades de construção dos conhecimentos, que as famílias e comunidades possam ser integradas ao cotidiano do que é realizado na EC Serra e que sejam promovidas múltiplas interações, com diversidade de linguagens, recursos, espaços, saberes e agentes.
Território Educativo
Território é interpretado pela EC Serra a partir do seu potencial educativo, por isso, a instituição assume-se como um agente catalisador da proposta de Território Educativo, reafirmando sua missão dialógica e participativa, reconhecendo-se na comunidade e trabalhando com ela para desenhar caminhos de transformação.
Concordando com as palavras da socióloga Helena Singer (2021), compreende-se Território Educativo como aquele que:
- Desenvolve um projeto educativo para o território criado pelas pessoas que ali vivem.
- Agrega escolas que reconhecem seu papel transformador e que entendem a cidade como espaço de aprendizado.
- Multiplica as oportunidades educativas para todas as idades, ampliando agentes, espaços, tempos e linguagens.
- Articula diferentes setores – educação, saúde, cultura, assistência social – em prol do desenvolvimento local e dos indivíduos, criando uma rede que atua em prol da garantia de direitos.
Princípios da Educação Integral
Equidade: Reconhecimento do direito de todos e todas de aprender e acessar oportunidades educativas diversificadas, a partir da interação com múltiplas linguagens, recursos, espaços, saberes e agentes.
Inclusão: Reconhecimento da singularidade e diversidade dos sujeitos, a partir da construção de projetos educativos pertinentes para todos e todas.
Sustentabilidade: Compromisso com processos educativos contextualizados e com a interação permanente entre o que se aprende e se pratica.
Contemporaneidade: Compromisso com as demandas do século XXI, com foco na formação de sujeitos críticos, autônomos e responsáveis consigo mesmos e com o mundo.
Educação Empreendedora
O objetivo da educação empreendedora é desenvolver pessoas para o fomento de atitudes e mentalidades empreendedoras, com base em uma formação que possibilita que o sujeito reconheça características criativas e pesquise novas possibilidades no campo da inovação. Em sua atuação com adolescentes e jovens, a Educação Empreendedora é entendida e inserida na prática, como ação de reconhecimento e desenvolvimento das subjetividades, fomentando que sejam agentes de transformação do território.
Em seu compromisso social, a EC Serra atua diretamente na articulação entre educação integral e empreendedora para adolescentes e jovens.
Famílias e Comunidade
As famílias são entendidas como os núcleos primários de afeto, cuidado e educação, constituídos por laços biológicos, afetivos ou sociais, responsáveis pela formação integral das crianças, adolescentes e jovens. Sua importância como parceiras essenciais no processo educativo contribui para o desenvolvimento de valores, identidades, aprendizagens e sentimento de pertencimento. As comunidades representam o contexto social, cultural e territorial no qual as instituições estão inseridas, abrangendo redes de relações, saberes tradicionais e movimentos sociais. A interação com a comunidade fortalece a construção de uma educação democrática, participativa e contextualizada, valorizando os conhecimentos locais e promovendo ações colaborativas que integram instituições, família e sociedade em prol do desenvolvimento humano e da transformação social.
A Política Nacional de Assistência Social (PNAS 2004) valoriza a família e a comunidade como elementos essenciais para o bem-estar social. A família é vista como o principal espaço de cuidado e proteção, mas, em situações de vulnerabilidade, pode precisar de apoio das políticas públicas. A comunidade, por sua vez, é um espaço de convivência e solidariedade, fundamental para a criação de redes de apoio e a promoção da cidadania.
Eixos integradores
As práticas educacionais adotadas pela EC Serra apontam para democratização do conhecimento, no sentido de criar condições para uma formação emancipatória, comprometida com sujeitos responsáveis consigo e com o mundo. No exercício de – cada vez mais – aproximar-se de uma educação contemporânea, os programas e projetos da EC Serra estruturam sua atuação a partir destes eixos, ou seja, garantem que o processo de planejamento, implementação, reflexão, e avaliação tenham como base os seguintes elementos:
Eixo é aquilo que produz unidade para orientar todas as práticas educacionais, versa sobre o que deve ser garantido em todo e qualquer programa ou projeto. Os eixos devem ser observados como norteadores de ações coletivas, favorecendo a criação de identidade institucional e a integração entre as ofertas educativas, contribuindo para a diminuição das fragmentações nos planejamentos e nas atividades.
Cultura e diversidade: Fomentar e explorar manifestações culturais por meio do ensino-aprendizagem buscando a inclusão social de público atendido e familiares, com intuito de ampliar seus conhecimentos e vivências.
Protagonismo dos sujeitos: Proporcionar ambientes de mediação e interação dos sujeitos para estimular autonomia e aprendizagens. Foco no processo de aprendizagem: Garantir aprendizagem em todas as etapas do processo para que ela seja compartilhada entre todos os agentes do processo educativo.
Território como potência: Garantir que as condições do território estruturem a atuação dos projetos, a partir de um olhar educativo e de modo a potencializar os elementos que o caracterizam.
Saúde e bem-estar: Construir pelo afeto, cidadania e qualidade de vida, ações de fortalecimento de vínculos familiares, bem como o desenvolvimento de uma educação étnico-racial, englobando a parte física, mental e social dos usuários.
Profissionalização: Contribuir para aperfeiçoar o desenvolvimento de competências e habilidades dos sujeitos e da comunidade, na perspectiva de novos caminhos e fortalecimento de parcerias, potencializando a profissionalização.
Educação antirrascista: Valoriza a identidade afro-brasileira, combate o racismo estrutural e reconhece os saberes e culturas afro-brasileiras como fundamentais para uma sociedade mais justa.
Educação ambiental na perspectiva da emergência climática: Integra a consciência ecológica às práticas pedagógicas, refletindo sobre os impactos da crise climática, especialmente nas populações mais vulneráveis, e promovendo o engajamento por justiça ambiental e sustentabilidade. Promovendo mudanças de atitudes simples do cotidiano que causam grandes impactos no coletivo.
Cultura de Paz: Promover a cultura de paz é valorizar o respeito, o diálogo e a empatia nas relações humanas. Trata-se de incentivar a resolução não violenta de conflitos e o fortalecimento de vínculos comunitários. A educação para a paz contribui para a construção de ambientes mais seguros, acolhedores e justos. Valorizar a diversidade e os direitos humanos é essencial para esse processo. A cultura de paz é um compromisso coletivo com a convivência harmoniosa e o bem comum.
Convivência e Construção de Vínculos: A segurança de convívio, garantida aos usuários pela PNAS, diz respeito à efetivação do direito à convivência familiar e à proteção da família, com vistas ao enfrentamento de situações de isolamento social, enfraquecimento ou rompimento de vínculos familiares e comunitários, situações discriminatórias e estigmatizantes. O enfrentamento a essas situações é realizado por meio de ações centradas no fortalecimento da autoestima, dos laços de solidariedade e dos sentimentos de pertença e coletividade.
O direito ao convívio é assegurado, ao longo do ciclo de vida, por meio de um conjunto de serviços locais que visam à convivência, à socialização e à acolhida de famílias cujos vínculos familiares e comunitários devem ser protegidos (Perguntas Frequentes: Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos – SCFV, Edição revista e atualizada em junho de 2022).
A convivência respeitosa e a construção de vínculos afetivos são fundamentais para o desenvolvimento integral dos educandos. As Valorizações do diálogo, da empatia e da cooperação como pilares das relações interpessoais, promovem um ambiente acolhedor e inclusivo. Através de projetos colaborativos, mediação de conflitos e ações que fortaleçam o senso de comunidade, incentivamos a formação de cidadãos capazes de conviver harmonicamente, respeitando as diferenças e contribuindo para uma sociedade mais justa e solidária.
Acreditamos que, ao cultivar vínculos significativos entre educandos, educadores, famílias e comunidade, criamos as bases para uma educação transformadora, onde todos se sintam pertencentes e valorizados.
Estratégias de atuação
Para que sua proposta formativa alcance os objetivos estabelecidos, a EC Serra estabelece 10 estratégias de atuação, que indicam como o trabalho deverá ser realizado. Transversais às práticas, projetos e programas, essas estratégias indicam caminhos metodológicos que pautam o dia a dia das equipes nos processos de planejamento, implementação, reflexão e avaliação do que é feito.
Liberdade criativa: Promover a liberdade do(a) educador(a) na execução e elaboração das práticas, garantindo espaço para proposições e transformações coletivas. Desenvolvimento de competências e habilidades: Estimular e contribuir para que os usuários se desenvolvam em todas as suas dimensões: intelectual, física, emocional, social e cultural.
Atuação em rede: Valorizar e desenvolver a atuação em redes articuladas em prol dos usuários e território educativo.
Experimentação: Incentivar, desafiar e propor que os usuários construam seus conhecimentos e desenvolvam seu aprendizado a partir de experiências práticas, privilegiando a colaboração, a criatividade, a curiosidade.
Atitude crítica e autônoma: Estimular ambientes e processos de reflexão e diálogo para incentivar a atitude crítica e autônoma por parte dos usuários.
Metodologias ativas: Estabelecer como principal característica a inserção do usuário como participante ativo do seu desenvolvimento.
Participação comunitária: Garantir a escuta e participação do público atendido, familiares e parceiros da EC no planejamento e avaliação de ações e projetos educativos voltados a estes e oferecidos de acordo com suas necessidades.
Personalização: Promover processos de aprendizagens que respeitam e contemplam as especificidades e diversidades de cada usuário, garantindo reestruturação e revisão dos processos continuamente.
Educador mediador: Garantir que o(a) educador(a) esteja em constante atenção e diálogo com os usuários e suas realidades por meio do vínculo, da correponsabilização e cooperação entre educando e educador.
Cultura digital: Garantir acesso, letramento digital e inserção na cultura digital, qualificando a interação em ambiente virtual e as oportunidades relacionadas a estes, de forma crítica e mediada.
